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Rolêzinhos, "apartheid" e o ímpeto consumista


Os rolezinhos: o apartheid brasileiro e o ímpeto consumista de uma geração revolucionária

As teorias da esquerda se desenvolvem a partir da premissa de que o capitalismo é ruim, de que o consumismo é mau, e de que era questão de tempo até que o proletariado criasse consciência disso e se rebelasse contra o sistema capitalista. No Brasil o PT começou a implantar suas políticas esquerdistas com base nisso. Nasceram, então, as cotas, o bolsa-família e outros vários programas assistencialistas, a educação pública passou a ser sinônimo de doutrinação marxista, os impostos aumentaram, criou-se uma cultura de crítica ao empreendedor onde bonito é ser funcionário público. A idéia era mostrar ao povo o Estado como pai e mãe, e aos poucos ir acabando com a iniciativa privada. Dá pra imaginar os burocratas esquerdistas comentando entre si: "é questão de tempo até que a população ame o Estado, e odeio o capitalismo." E tudo parecia ir de acordo com os planos, até que alguns eventos, os famosos 'rolezinhos', criados no facebook mostraram outros sintomas.


Os rolezinhos começaram em 2013, e surpreenderam o Brasil ao reunir milhares de jovens em shoppings centers ao longo do país. Os encontros, no entanto, não foram nada pacíficos, tendo sido registrados roubos, vandalismo, assaltos e agressões. Com os rolezinhos vimos a iminente verdade de que uma parte da população de baixa renda havia aprendido sim a idolatrar o Estado, mas com isso não passou a rejeitar o capitalismo. Pelo contrário, sua ânsia pelo capitalismo se tornou tão grande, que decidiram invadir os shoppings e clamar pelos produtos que sonhavam em consumir, praticando inclusive assaltos e roubos se necessário. E para o desespero da esquerda, os produtos furtados não eram sintomas de extrema necessidade, eram o desejo consumista de possuir coisas bonitas e de qualidade.

Em países socialistas, o consumo é extremamente restrito e controlado pelo governo, não só para roupas e calçados, mas até mesmo para alimentos e produtos básicos de higiene. Exemplo claro disso é Cuba, onde o salário mensal médio é de cerca de R$50,00 -- isso mesmo, não é erro de digitação: cinquenta reais. Lá o governo distribui uma cesta básica por mês para as famílias, mas os produtos são suficientes apenas para o consumo de uma semana. Para comer pelo restante do mês é preciso que os cubanos realizem trabalhos autônomos e trocas no comércio clandestino. Cuba é prova viva de que você pode tirar os produtos do povo, mas não tirará deles o anseio por consumir. Quanto tempo será que levará para que a esquerda brasileira se dê conta de que uma juventude monstrinha, vitimista e preguiçosa, mas que não será capaz de retirar deles esse desejo de consumo? Pode ser que nem notem mas a parte da periferia que participa dos rolezinhos quer capitalismo, e quer agora. Não sabem como obter, afinal, o Estado lhes ensinou que era seu pai, que podia lhes dar tudo que eles necessitassem, mas eles não querem por necessidade, querem por desejo, simplesmente querem por que querem.

Os Sakamotos e Elianes Brums não se deram conta de que o capitalismo é natural, de que as trocas existem desde que o mundo é mundo, e que o ser humano gosta de consumir, pois estão ocupadíssimos em criticar os donos de lojas nos shoppings, os policiais e até as famílias que buscavam uma refeição tranquila em um ambiente seguro. Os jovens dos rolezinhos erram, e no fundo sabem que erram, mas cresceram em um país onde sempre há um esquerdista disposto a defendê-los e dizer que a culpa é do sistema. Dessa vez vou concordar: a culpa é do sistema, sim -- mas do sistema assistencialista que se criou no Brasil. Eles dizem, ainda, que isso é sintoma de uma espécie de apartheid, e novamente vou concordar -- mas é do apartheid de um sistema de privilégios que alguns grupos vem recebendo através do governo, e de tanto serem protegidos e vitimizados, eles perderam totalmente a noção de limites entre público e privado, acham que tudo é deles, afinal, o Estado é seu pai, e que, como pai que é, esperam o Estado lhes proteger ainda que roubem, assaltem, vandalizem, agridam e até mesmo matem.

O cidadão comum só espera que a polícia reprima quando precisar, que faça cumprir a decisão judicial, que proteja o patrimônio privado do espaço também privado que os shoppings são -- mas mais do que isso, que esses jovens sintam o choque de realidade que precisam para sair do mundo encantado esquerdista. Espera que percebam que não são vítimas, o Estado não é pai, e que a realidade mais básica humana: é natural consumir, sem o consumo não é possível sobreviver, e não há nada de errado em desejar consumir, mas não é natural e nem sustentável que o Estado lhe dê tudo que você quer, pois para isso você precisará trabalhar e conquistar as coisas por conta própria. Dono de loja algum se ofenderá em receber grupos de jovens, independentemente de sua cor, bairro ou classe social, desde que esses estejam ali para consumir os produtos ofertados.

Enquanto a esquerda se regozija em ver os shoppings lotados como quem vê a iminente revolução socialista, olhamos de longe a obviedade de que os que são chamados de "minoria", de "classe baixa" e de "oprimidos", só querem o que não sabem mais como conquistar: a oportunidade de poder dar uma volta no shopping e fazer compras -- algo que jamais será possível em um Estado socialista.

"Ladrões respeitam a propriedade. Eles apenas desejam que a propriedade seja deles para que eles possam respeitá-la mais ainda. Os intelectuais, por outro lado, detestam a propriedade em si mesma; eles desejam destruir a própria ideia de propriedade privada."
G. K. Chesterton



Originalmente publicado em: "Os rolezinhos: o apartheid brasileiro e o ímpeto consumista de uma geração revolucionária ".
Escrito por Bruna Luíza.
Utilizado com permissão expressa da autora.



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