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Lições sobre relacionamento: Charles e Susannah Spurgeon - Parte 1

Lições sobre relacionamento: Charles e Susannah Spurgeon - Parte 1


Tá, você certamente já ouviu falar sobre Charles Spurgeon, o homem apelidado de “Príncipe dos pregadores”, se nunca tiver ouvido falar dele, além de você provavelmente ter chegado agora de suas férias em Marte, basta clicar bem aqui e logo você descobre os imensos diamantes que são as pregações desse cristão.

Mas existe uma parcela da vida de Spurgeon que ainda é pouco comentada: seu relacionamento com a mulher que viria a tornar-se sua esposa – Susannah. Um homem que ainda hoje tem tanto a nos ensinar com suas palavras, certamente pode nos apresentar uma verdade sem preço em suas atitudes.

Dois anos depois de ter se tornado pastor, aos 19 anos (isso mesmo, Spurgeon tornou-se pastor com 17), numa certa tarde de domingo, uma jovem moça, Susannah Thompson, foi assistir ao seu sermão. Ao vê-lo no púlpito ela, certamente, não ficou muito impressionada com a aparência do rapaz, tanto que ela mesma disse: “Que maneiras rústicas! Será que ele algum dia vai parar de brincar com esse horrível lenço azul de seda? E o cabelo dele…”[1]

1ª LIÇÃO: A APARÊNCIA É VÃ E MUITO ENGANA OS OLHOS

Tá bom, tá bom, eu sei que você já deve ter ouvido esse conselho uma meia centena de vezes, mas eu acho que muita gente o tem entendido da forma errada. E talvez dessa vez você se assuste com o que eu vou falar, mas a verdade é a seguinte: beleza importa, sim. A questão é, de que tipo de beleza estamos falando?

Cada um de nós precisa, sinceramente, sondar seu coração. Muitas vezes o que temos feito é analisar a beleza conforme os padrões dos outros, influenciados pelas opiniões da mídia, de amigos e familiares, ou, até mesmo, comparando uma pessoa com outra. Assim como Susannah o fez no primeiro momento, muitas vezes tendemos a julgar alguém pela sua forma física ou pelo seu jeito de vestir, mas nem sequer conhecemos ao outro.

Beleza não é aparência tal como a conhecemos, beleza, em seu aspecto mais bíblico, é aquela exposta no livro de Cantares. Um livro que fala do amor entre um homem e uma mulher, mas que quando vai descrever a beleza física da moça admira o pescoço (1:10), olhos (1:15), cabelo (4:1), dentes (4:2), o falar (4:3), etc.[2] Admitamos, esses não os são atributos levados em conta na maioria das vezes. Nossa queda e nossa natureza corrompida pelo pecado, deturpou nossos valores de beleza de um modo geral, precisamos retornar à Palavra e buscar a renovação da nossa mente.

Essas foram as palavras de Susannah anos depois de ter visto Spurgeon pela primeira vez:
“Eu considerei comigo mesma quão pouco meus olhos contemplaram a ele que viria a ser o amado da minha vida; Quão pouco eu sonhei sobre a honra que Deus estava preparando para mim no futuro próximo! É apenas por misericórdia que nossas vidas não são deixadas para nós mesmos planejarmos, mas que o nosso Pai escolhe para nós; do contrário nós poderíamos virar as costas para as maiores bênçãos, e afastar de nós os melhores e mais amorosos dons da Sua providência… Oh, como meu coração é vão e tolo! Eu não tive uma mente suficientemente espiritual para compreender sua sincera apresentação do Evangelho e seu poderoso apelo aos pecadores.” [3]

Muito mais importante que a impressão física é o conhecimento do outro. Um pouco e toda formosura se vai, mas sua aliança com o outro irá durar por muito mais tempo do que a beleza física pode suportar. Somente uma formosura dura para sempre: a de um coração transformado pelo Senhor.
Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa sim será louvada.
Provérbios 31:30

Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te prendas aos seus olhos.
Provérbios 6:25

Voltemos à nossa história de amor...
Pelo fato de Spurgeon ser pastor e principal pregador da igreja, Susannah o encontrava por diversas vezes. Mas há um fato curioso aqui, em nenhuma biografia, nem mesmo na autobiografia, existem muitos indícios de que qualquer um dos dois lembrava-se com detalhes da primeira vez em que se viram, de modo que Susannah não mais ocupou-se com seus bobos preconceitos. Com o passar do tempo e das fervorosas pregações, marcantes por toda vida de Spurgeon, ela atentou para o fato de que o seu próprio estado espiritual estava longe de ser o que deveria. Não que Susannah não fosse “crente” antes deste momento, mas ela percebeu o quão relaxada havia se tornado. [4]

2ª LIÇÃO: NÃO ENCHA SEU CORAÇÃO DE ESPERANÇAS VAZIAS

Olha só que negócio fascinante na história desses dois, mesmo tendo vindo a se casarem mais tarde, eles não ficaram alimentando esperanças desnecessárias logo após se conhecerem. Ambos não se debruçaram em pensamentos e poesias apaixonadas um pelo outro na primeira semana de amizade. Pelo contrário, Susannah e Spurgeon continuaram o curso de seus dias vivendo em busca de aprender e praticar mais da Palavra de Deus.

Mas e nós? Como temos vivido nossos sentimentos e emoções?

Não estou dizendo que você precise ser um cavalo e sair dando patada em todo mundo que se aproxima de você. Mas ficar alimentando o nosso coração com esperanças amorosas à todo instante é algo que não podemos nos dar ao luxo de fazer. Se olharmos novamente para o exemplo desses dois, veremos que ocorreu exatamente o contrário. À primeira vista, Spurgeon era completamente desinteressante aos olhos de Susannah, mas o seu caráter de homem de Deus demonstrou-se muito mais belo que seu porte físico e suas roupas.

Na maioria das vezes, a experiência que chamamos de “amor à primeira vista” é somente uma camuflagem que desejamos dar a uma atração física e superficial. Nem sequer conversamos, nem ao menos trocamos experiências suficientes para tanto, mas já estamos derretidos e apaixonados como se não houvesse amanhã.

A frase que me marca nesse parágrafo da história deles que lemos acima é “[não] existem muitos indícios de que qualquer um dos dois lembrava-se com detalhes da primeira vez em que se viram”. E isso é quase hilário quando comparamos conosco e percebemos que chegamos ao ponto de ficarmos tristes e chateados se o outro não tiver experimentado a mesma sensação arrebatadora do “meteoro da paixão” que sofremos quando a vimos.

Não podemos depositar no outro a necessária responsabilidade de estar “com os quatro pneus arriados”. Precisamos confiar tudo ao Senhor, por Ele e para a Sua Glória. Do contrário será apenas uma satisfação pessoal de um ego inchado ou de uma carência à muito não preenchida.
Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser.
Cânticos 2:7

Amanhã, continuaremos estudando o relacionamento desses dois. Não perca a segunda parte!

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[1] A menção biográfica completa pode ser verificada em http://www.mulherespiedosas.com.br/licoes-casamento-spurgeons/
[2] Como bem lembrado pelo Filipe Ramos Possani em comentário ao artigo, o livro de Cantares não trata somente dos aspectos mais periféricos da beleza, mas também de outros, mais sensuais e mais íntimos. Não os trouxemos para o texto porque nosso objetivo é analisar tudo aquilo que envolve o relacionamento antes do casamento, e não após ele. Em um momento posterior teremos uma série de artigos somente para estudar a sensualidade cristã contida em Cantares, aguardem!
[3] Idem
[4] Ibidem
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