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O que está na caixa? A Fé Insensata do Ateísmo e do Agnosticismo [Parte 2]

O que está na caixa? A Fé Insensata do Ateísmo e do Agnosticismo [Parte 2]

Capítulo Dois: Argumentos Baseados em Simples Suposições.

Cristãos fiéis de cada época são confrontados com argumentos inacreditáveis de algumas das maiores mentes da história. Oponentes contemporâneos do Cristianismo frequentemente têm graduações avançadas e podem ser especialistas nos seus campos. Para a maioria dos Cristãos ensinados na Escola Dominical pode ser um tanto intimidante. Devem os Cristãos ser Ph.D para responderem um Ph.D? Contudo, o número e a diversidade de argumentos a favor e contra o Cristianismo são ilimitados. Como pode o Cristão ocupado começar a apreender o grande volume de material? Só em pensar já é desalentador. E enquanto Deus não necessita de defesa (Sua vontade e propósito serão realizados), os Cristãos têm sido ordenados a participar do privilégio de declarar e defender sua fé. Como, então, podem os crentes adequadamente defenderem sua fé em Cristo diante de tão pesada e sofisticada oposição?


Felizmente, tão variados e sofisticados quanto os argumentos contra o Cristão possam ser, eles são surpreendentemente uniformes e simples nas suposições nas quais eles são construídos. Realmente, grandes argumentos são como bonitos edifícios, eles são tão bons como as suas fundações. Se o início das suposições de um argumento contra a existência de Deus é sem valor, a conclusão será sem valor, apesar da sofisticação do argumento. Interessantemente, muitos falsos argumentos contra o Cristianismo são bastante lógicos porque suas conclusões logicamente seguem suas suposições iniciais. Combater tais argumentos sem desafiar as suposições iniciais é fútil. Deixar as suposições iniciais sem desafio quando a conclusão segue aquelas suposições apenas encoraja descrença dando a impressão que argumentos incrédulos não podem ser logicamente refutados. Em contraste, qualquer argumento lógico será exposto como falso se as suposições iniciais são demonstradas serem falsas. Então, se as suposições falsas da argumentação ateísta puderem ser facilmente identificadas e mostradas como inverdades, a capacidade de refutar os mais sofisticados argumentos pode se tornar disponível para todos os Cristãos. [5]

A natureza destas suposições básicas ou fundamentais será explicada depois nos capítulos seguintes, porém uma introdução neste ponto será útil. Brevemente, todas as pessoas interpretam o que elas vêm, ouvem, sentem, tocam, cheiram e pensam a respeito de acordo com um padrão de verdade ou autoridade. Elas confiam (tem fé) nesta autoridade para o significado final das coisas. Por exemplo, Cristãos e cientistas ateístas podem concordar nas leis observadas na física, enquanto uns as veem como o resultado do tempo e mudanças e os outros como um trabalho de Deus. Enquanto vendo os mesmos fatos, eles confiam em diferentes padrões de verdade ou autoridade pela qual os interpretam. As Escrituras, como a Palavra de Deus, é a autoridade final e objeto de fé para o cientista crente, enquanto a autoridade final e objeto da fé do ateísta estão em algum lugar (a ser discutido abaixo). Em cada caso, a sensatez e a credibilidade da autoridade final ou objeto da fé de alguém está em questão. Como a bela construção numa fundação defeituosa, se a autoridade assumida na qual os ateístas constroem seus argumentos é insensata e não confiável, assim serão os argumentos construídos sobre ela.

 

Capítulo Três: Expondo a Suposição de Onisciência


Identificando e demonstrando que os argumentos sofisticados do ateísmo são construídos em suposições insensatas de fé envolve fazer a seguinte pergunta: “Como você sabe o que você alega que sabe?”. A aplicação cuidadosa e graciosa desta pergunta é a essência de expor o ateísmo como insensato e não científico. Naturalmente, pode ser fácil aprender os princípios enquanto o seu uso efetivo em diversas situações pode requerer tempo e experiência (como com o beisebol, violino e apologética). Contudo, como ilustrado pelo diálogo imaginário entre o Sr. Cristão (“C”) e o Sr. Ateísta (“A”), [6] este método simples é fácil de aprender e efetivo quando usado com sabedoria e graça. Também, veremos que os ateístas presumem uma medida de conhecimento somente possuído pelo próprio Deus que eles negam. Ouçamos...

C: Sr. A, bom vê-lo, você está bem?

A: Estou obrigado, e você?

C: Estou bem, obrigado. Posso lhe fazer uma pergunta, Sr.A?

A: Naturalmente, Sr.C, porém sem dúvida você irá até mim de novo pelo meu ateísmo.

C: Você é meu amigo, Sr.A, e gostaria que esta amizade se estendesse na eternidade.

A: Aprecio sua atitude.

C: Eis a minha pergunta. Eu tenho na minha escrivaninha uma bonita caixa de madeira, com ornamentos entalhados e uma linda pérola incrustada. Você pode me dizer o que está dentro da minha caixa de madeira, Sr.A?

A: Quem sabe joias?

C: Receio que não. Tem outro palpite?

A: Eu não vi a caixa e não a abri como poderia saber o que está na caixa?

C: Sua resposta é bem sensata, Sr; A. Que tal sobre a minha garagem? Você sabe o que está nela?

A: Você sabe que nunca estive na sua garagem. Não tenho ideia do que está nela, embora saiba que ela não contém os seus carros.

C: Bastante cheia, receio. Diga-me, você viajou através do espaço lá fora recentemente, ou deixou o seu corpo físico vagar ao redor em outra dimensão?

A: Eu me pareço com o Dr. Who, Sr. C?

C: Você concorda, então, que está correntemente limitado às três dimensões da existência?

A: Naturalmente estou limitado. Também estou limitado segundo minhas habilidades físicas e na minha habilidade de entender sua escolha de questões, devo acrescentar.

C: Existem mais do que três dimensões? Mais do que quatro, cinco, dez ou uma centena?

A: Diga-me Sr. C, como possivelmente eu poderia saber? Nunca estive além da minha atual existência tridimensional para declarar um palpite. Você está me fazendo pergunta que eu não posso responder possivelmente. Diga-me seu propósito, Sr. C.

C: Sr. A, Deus existe?

A: Naturalmente não, sou um ateísta.

C: Eu sei que você é um ateísta, e até agora você tem sido sensato ao admitir suas limitações como um ser humano finito. Porque você deixou de ser inteiramente sensato para ser um absolutamente irracional?

A: O que você quer dizer com, absolutamente irracional? Não existe absolutamente evidência para a existência de Deus. Você é um que diz que alguém que não podemos ver existe, talvez o peso esteja sobre você para provar para mim que Deus existe.

C: Sou incapaz de provar para sua satisfação de que Deus existe.

A: Este é exatamente o meu ponto, Sr.C, não existe evidência para Deus, e você o admitiu ao dizer que não pode provar para mim que Ele existe. Estou surpreso que você desistiu tão cedo.

C: Eu não disse que não há evidência para Deus, Sr. A. O que eu quis dizer é que eu não posso por argumento somente convencer você para sua satisfação que Deus existe como você é confrontado com a evidência da Sua existência em qualquer lugar e em todo o tempo, embora ainda não acredite na Sua existência. Se o universo inteiro declara a glória de Deus, incluindo o modelo e a ordem de toda a existência criada, a provisão de todas as boas coisas, e sua própria consciência e conhecimento, [7] como poderei trazer para você alguma prova nova ou adicional que o convencerá de que Ele existe? Desta forma eu não posso provar para você que Ele existe, embora a evidência para a Sua existência seja clara, evidente, detalhada e convincente, em tal extensão que a Bíblia diz que você é indesculpável por não acreditar em Deus e não dar a Ele honra e gratidão. [8]

A: Eu sei, eu sei, esta foi a discussão da semana passada. Assim, por que as perguntas?

C: Você está desejando admitir que suas limitações humanas com respeito a minha caixa de madeira e garagem, assim como as suas limitações humanas das três dimensões. Como é que ao mesmo tempo você alega saber sobre todas as coisas no universo?

A: Saber todas as coisas no universo? Eu não aleguei tal coisa, Sr.C. O que você tem fumado? Eu sei que você era um hippie nos anos 60, não era Sr.C?

C: Muito engraçado. Porém me diga o que você deveria saber para me dizer com certeza que Deus não existe? Você não teria de saber tudo o que pode ser conhecido no universo inteiro e além antes que você possa com certeza dizer que Deus não existe?

A: Não estou certo, nunca pensei nisto desta forma.

C: A fim de alguém dizer que Deus não existe com certeza, alguém teria de saber tudo que pudesse ser conhecido sobre cada coisa no universo e além, inclusive cada possível dimensão. Ao dizer que Deus não existe você está sugerindo que você é onisciente e que tem suficiente informação e habilidade para saber com certeza de que Deus não existe.

A: Não estou fazendo tal coisa.

C: Eu sei que você nunca claramente alegaria o atributo da onisciência de Deus. Contudo, alguém ainda precisaria ser onisciente para dizer que Deus não existe, um atributo de Deus que os ateístas dizem não existir. E enquanto você tem sido muito sensato admitindo sua limitação em não conhecer o que está na minha caixinha de madeira e garagem, você está ao mesmo tempo desejando fazer uma alegação que requer um conhecimento e habilidade infinitamente maior do que é requerido para saber os conteúdos da minha caixa de madeira e garagem. Você parece ter ido de uma posição muito racional, admitindo suas limitações humanas com respeito ao universo, para uma muito irracional que fala como se você soubesse todas as coisas, as quais você admite não conhecer.

A: Eu olho para o universo e não vejo a evidência para Deus, assim não há Deus.

C: Você está me dizendo que o que você não pode ver não pode existir? Não é isto tomar o lugar de Deus dizendo, com efeito, que o que você não pode ver ou saber não pode existir? Você está dizendo que o que pode e não pode existir no universo é determinado pelo seu limitado entendimento dele? É isto sensato?

A: Eu sei que você apenas quer que eu vá para o céu, porém estou muito cansado para discutir isto além hoje, e minhas limitações humanas requerem que eu vá comer.

C: Assim Deus nos criou Sr. A. Espero pela nossa próxima conversação.

A: Espero por ela também, Sr. C.

Esta simples ilustração revela a falha básica da alegação do ateísta. Por outro lado, o Sr. A é sensato ao admitir os limites do seu conhecimento e admitir a sua ignorância do conteúdo da caixa de madeira e garagem do Sr. C. Por outro lado ele é insensato em alegar que Deus não existe, pois ele teria de conhecer tudo sobre o universo inteiro e além para legitimamente fazer tal alegação. Ele teria de ser Deus para negar Deus, o qual ele diz que não existe. E enquanto ele reconhece sua limitada habilidade para saber muitos aspectos do universo (incluindo a caixa e a garagem), ele sabe por certo que tudo é não criado, auto-existente, auto-ordenado, e não relacionado a Deus, pois Deus não existe. [9] A habilidade assumida de fazer declarações com autoridade sobre o que não pode ser conhecido fora da onisciência ou direta revelação de Deus é básica a todos os argumentos ateístas. Esta é a fundação ou suposição de fé sobre a qual os argumentos ateístas são construídos. Em resumo, o ateísta tem fé em sua própria habilidade de conhecer o que não pode ser conhecido fora da onisciência ou direta revelação de Deus. O ateísta presume que a autoridade final ou padrão de verdade seja a sua própria opinião. A questão é se esta é ou não uma fundação fidedigna e sensata para os argumentos dos ateístas. Como temos visto, se a fundação é falha assim são os argumentos construídos sobre ela. Isto será visto além na discussão seguinte em relação a existência de milagres.

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[5] Responder argumentos altamente técnicos construídos naquelas suposições pode ser deixado para os “experts”. Isto não quer dizer que os Cristãos não precisam estudar argumentos apologéticos específicos e detalhados em defesa da fé Cristã, nem é por para baixo o trabalho excelente dos cientistas e filósofos Cristãos em sua defesa do Cristianismo. Quer dizer apenas que os Cristãos não necessitam ter um Ph.D. em filosofia para responder às objeções filosóficas básicas ao Cristianismo, ou um Ph.D. em biologia ou genética para adequadamente responder às objeções do seu professor de biologia.

[6] A técnica de usar diálogos ilustrativos era frequentemente utilizada por Cornelius Van Til em seus escritos. Embora a sofisticação e a perspicácia dos diálogos escritos por Van Til excedem em muito aquele que eu escrevi, de qualquer forma eu emprestei a sua técnica.

[7] Veja Salmos 19:1-6, Atos 14:17, Romanos 1:19-21, 2:14-15. Os teólogos chamam a isto de revelação “geral” para distinguir da revelação “especial”, as Escrituras.

[8] Todas as pessoas tem um “senso de divindade”, um conhecimento de Deus. Romanos 1:18-21 nos diz que todas as pessoas “conhecem” a Deus porque Deus Se revelou a eles, embora os descrentes pecaminosamente suprimem este conhecimento. Os crentes conhecem a Deus de uma forma diferente do que os descrentes, pois seu conhecimento inclui um verdadeiro entendimento e amor por Deus, enquanto os descrentes suprimem e distorcem o conhecimento de Deus a fim de nega-Lo. Quando as Escrituras falam dos incrédulos como não conhecendo a Deus elas se referem ao conhecimento íntimo e pessoal de Deus possuído pelos crentes.

[9] Na verdade, nenhum argumento ou evidência poderia ser apresentado para convencê-lo de outra forma fora do poder e obra do Espírito Santo e das Escrituras. A Bíblia claramente ensina que os incrédulos são “hostis” a Deus (Colossenses 1:21; Romanos 8:7), eles “não podem entender” e “não podem aceitar as coisas do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:14), eles são “obscurecidos de entendimento” (Efésios 4:18), e espiritualmente “mortos” de tal forma que as coisas excelentes de Deus e Cristo são vistas como “tolice” (Efésios 2:1; 1 Coríntios 1:18-23). Em todos os lugares eles são confrontados com a evidência e conhecimento de Deus em seus corações e na beleza e bênçãos do universo criado, assim eles “detém a verdade” de Deus “pela injustiça” (Romanos 1:18-22). Por conseguinte, incrédulos não são nem objetivos nem neutros no seu entendimento e interpretação de Deus e Seu universo criado.

Originalmente publicado como: "What’s In The Box? The Unreasonable Faith Of Atheism And Agnosticism".
Traduzido por Césio Johansen de Moura. Revisado por Felipe Cruz de Melo.
Utilizado com permissão de Craig Biehl, 2011. http://bible.org Copyright ©1996-2013 Todos os direitos reservados.

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